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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

AS FAZENDAS

As ricas fazendas deixadas por Domingos Afonso Mafrense, incorporadas à Coroa portuguesa e depois de roubalheira permanente. Nelas diminuía a renda anual e desaparecia o gado, o que levou o Congresso Nacional a votar leis autorizando a venda ou arrendamento de várias dessas propriedades.

O dr. Francisco Parentes, engenheiro-agrônomo, teve a idéia de trabalhar pela instalação de um estabelecimento zootecnia e agrícola, à margem do rio Parnaíba. Em setembro de 1873 foi o autorizado a criá-lo. Francisco Parentes seguiu para a fazenda Bom Jardim, em Amarante. Aí foi fundado o Estabelecimento Rural São Pedro de Alcântara. Bom Jardim foi um dos sítios de constituição do atual município de Floriano. O edifício dessa instituição apresentava todas as vantagens como escola de ensino prático. O prédio, porém, em 1922, já estava arruinado.

Em 1889, 17 fazendas, dos departamentos de Canindé e Nazaré, subdivididas em 24, foram entregues, sob contrato, a Antônio José de Sampaio: o rico e vasto território, que contém cerca de 18.000 cabeças de gado vacum, 700 cavalares, habitações e o grande estabelecimento rural, além de  importante fábrica de manteiga e queijo, movida a vapor, com o mais perfeito aparelhamento e maquinaria. Nada disto mais existe.

Outras fazendas dos departamentos de Nazaré e Piauí foram arrendadas a Políbio Rodrigues Fernandes, em 1878.

Todas as propriedades de Mafrense volveram ao patrimônio nacional. Tinham o nome de FAZENDAS NACIONAIS. A constituição brasileira de 1946, por iniciativa do deputado piauiense Adelmar Soares da Rocha, determinou que as fazendas passassem ao patrimônio do Estado do Piauí, situação em que elas se encontram, com o nome de FAZENDAS ESTADUAIS.

O gado das fazendas veio das fazendas das margens do São Francisco, trazido por Mafrense. De início, a importação foi feita da ilha do Cabo Verde (Portugal). Esses animais multiplicaram-se extraordinariamente no Piauí.

Em documento de 21/06/1974, o governador Alberto Tavares Silva submeteu ao Senado Federal pedido de autorização para alienar áreas de terras públicas do Piauí à Companhia de Desenvolvimento do Piauí, Sociedade de Economia Mista, que tem o objetivo de fomentar e explorar atividades agropastoris, industriais, mineração e colonização. Nessas áreas está a das FAZENDAS ESTADUAIS, que ocupa os municípios de Oeiras, Floriano, Itaueira, Simplício Mendes, Itainópolis, abrangendo os municípios de Francisco Aires, Arraial, Nazaré, são Francisco do Piauí, Santo Inácio do Piuaí, Campinas do Piauí e Isaías Coelho. Objetivos do governo:

a) execução de projetos de colonização para aproveitamento da mão-de-obra excedente em outras áreas;

b) regularização da situação dos posseiros nos terrenos ocupados e localizados nas áreas referidas, permitindo-se a sua aquisição pelos ocupantes;

e c) alienação a empresas rurais, em lotes não superiores a 25.000ha para implantação de projetos agropecuários e agro-industriais, considerados de interesse para o desenvolvimento do Estado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) e pela própria Companhia de Desenvolvimento do Piauí.

O professor Odilon Nunes, em pronunciamento na Universidade Federal do Piauí, manifestou-se contra a alienação.


A. Tito Filho, 30/09/1989, Jornal O Dia

EMPRESA

Li a "Grande Importância da Pequena Empresa", com excelente análise do assunto nos Estados Unidos, no Brasil e no mundo, trabalho de Steven Solomon.

A grande importância da pequena empresa é simplesmente espantosa. Custará acreditar nas cifras e nas histórias aqui contadas neste livro, a primeira grande pesquisa publicada nos Estados Unidos sobre a influência do micro, pequeno e médio empresário na evolução daquela que é ainda hoje a maior potência econômica global.

Mais de um milhão e meio de americanos dá inicio, anualmente, a outras tantas pequenas empresas. Dez milhões esperam copiá-los, freqüentando cursos, recolhendo informações, fazendo poupanças para futuros investimentos. Esse ímpeto está sendo estudado e adotado por outros países como o Japão, a maioria das nações européias e até países do bloco comunista. O próprio santuário do socialismo, a União Soviética, realiza modificações, reformas econômicas, adota o capitalismo e estimula a iniciativa privada, pequenos empreendimentos.

E, no Brasil (as pequenas e micro-empresas), "representam mais de 90% dos estabelecimentos comerciais, empregam 65% da mão-de-obra, pagam 42% dos salários e respondem por 54% da produção nacional". Quem informa estes dados é o Professor Paulo Lustosa, do Cebrae, num magnífico e oportuno posfácio para esta edição brasileira que, no final, apresenta ainda uma boa série de nomes e endereços de entidades dedicadas a apoiar o micro, pequeno e médio empresário.

Steven Solomon é jornalista, especializado em assuntos econômicos e financeiros. escreve regularmente para Forbes, The Economist, The New York Times e outras publicações. Dirige também a sua própria pequena empresa.


A. Tito Filho, 28/07/1989, Jornal O Dia

terça-feira, 2 de agosto de 2011

TOMADA DE CONSCIÊNCIA

Malthus, economista inglês do século passado, aconselhava como medida preventiva da superpopulação o casamento tardio e a continência no matrimônio, justamente porque a sua teoria se fundamentava no princípio de que os habitantes da terra aumentam em progressão geométrica, enquanto os alimentos se produzem em progressão aritmética. Sustentou que esse crescimento populacional se vê contrariado apenas pelas guerras, pelas calamidades, pelas doenças e pela miséria. Sua tese implicava em condenar os recursos de socorro aos necessitados. Admitia como meios certos para evitar a explosão demográfica, com o seu cortejo de sacrifícios, a abstinência sexual, ou a prostituição, a fim de que não se gerassem filhos.

Até a Segunda Guerra, voltou-se ao caso: os bens alimentícios da terra serão insuficientes para o sustento do povo se este continuar aumentando. A terra pode proporcionar ao homem soma imensa de mantimentos, desde que haja exploração racional.

Estudiosos revelam também outro aspecto da matéria: a progressão populacional reduz o nível de vida. Apresentam-se duas medidas para evitá-la: melhoria dos produtos agrícolas e industrialização, aspectos essenciais da economia desenvolvida.

O crescimento populacional se deve a uma redução do índice de mortalidade relativamente a um índice de natalidade estacionária. Reduz-se a taxa de mortalidade com a melhoria das condições de vida - e este fato contribui para aumentar a população, que os países se esforçam por impedir. Assim, o desenvolvimento das comunidades pobres, retardatárias, ressuscitaram a ameaça malthusiana.

Tudo parece muito confuso, mas não é.

Morre menos gente, segundo os entendidos, quando não há miséria, fome, doença. Conseqüentemente, a população aumenta com o seu cortejo de problemas.

Nunca, pois, os entendidos afirmam que existe relação biológica direta entre as boas condições alimentares e o reduzido índice de fecundidade: "A longo prazo, a existência sugere que uma melhoria das condições de vida exerce uma influência regularizadora sobre o crescimento da população".

Bem diz o povo que o pobre se diverte fabricando menino. Afirma-se que a independência econômica provoca efeitos sobre o desejo de ter filhos, evitando prole numerosa.


A. Tito Filho, 04/07/1989, Jornal O Dia

quarta-feira, 29 de junho de 2011

FAZENDAS ESTADUAIS

Expulsos os jesuítas de Portugal e do Brasil e seqüestrados os seus bens, as fazendas passaram a pertencer ao governo português, por ato de 25/11761. O governador João Pereira Caldas dividiu as fazendas em três inspeções ou departamentos denominados Piauí, Nazaré e Canindé. Proclamada a independência do Brasil, essas ricas propriedades passaram ao patrimônio nacional, administradas por funcionários do Ministério da Fazenda. Em 1844, as fazendas do departamento de Canindé (Ilha, Pobre, Baixa dos Veados, Sítio, Tranqueira, Poções, Saco, Saquinho, Castelo, Buriti, Campo Grande e Campo Largo) passaram a fazer parte do dote imperial da primeira Januária Maria, irmã do imperador Pedro II. Após a celebração do casamento, na conformidade do contrato matrimonial, todas essas terras e fazendas do dote imperial e a sua administração pertenceriam também ao esposo da princesa - príncipe Luís Carlos Maria, filho de Fernando II, rei das duas Sicílias. No contrato de casamento estabeleceu-se que, se não houvesse descendentes da princesa ou se o casal passasse a residir, definitivamente, fora do Brasil, todos os bens reverteriam ao patrimônio Nacional. O casal fixou residência na Europa. "Não obstante - escreve Antônio José de Sampaio - serem as mais severas e positivas as instruções do governo, as fazendas não prosperavam, sob essa direção administrativa (Ministério da Fazenda), e os políticos locais tiravam vantagem das mesmas, no interesse de seus partidários, sempre sequiosos de obterem uma situação, com a idéia única de explorá-las em seu próprio benefício".

Diminuía a renda anual e desaparecia o gado, o que levou o Congresso Nacional a votar leis autorizando a venda ou arrendamento de várias dessas propriedades nacionais, inclusive as fazendas dos departamentos de Nazaré e Canindé, no Piauí.

O Dr. Francisco Parentes, engenheiro-agrônomo, teve a idéia de trabalhar pela instalação de um estabelecimento zootécnico e agrícola, à margem do rio Parnaíba. Em setembro de 1873 foi o governo autorizado a criá-lo. Francisco Parentes seguiu para a fazenda Bom Jardim (pertencia a Amarante). Aí foi fundado o Estabelecimento Rural São Pedro de Alcântara. Bom Jardim foi um dos sítios de constituição do atual município de Floriano. O edifício dessa instituição apresentava todas as vantagens como escola de ensino prático. O prédio, porém, em 1922, já estava arruinado.


A. Tito Filho, 01/07/1989, Jornal O Dia